domingo, 22 de dezembro de 2013

VINHO ORGÂNICO DE CAMBUI

VINHO ORGÂNICO DE CAMBUI
HISTÓRICO.


O Cambuí (Myrciaria tenella) é uma espécie importante da família das mirtáceas, cujos parentes muito conhecidos são a Goiabeira, (Psídium Guajava) a jabuticabeira, (Plínia Trunciflora) a pitangueira (Eugenia Uniflora) o Araçá (Psidium Guajava) e outros. O Cambuí é uma planta  arbórea de pequeno porte. Pode  variar entre 4  até 7 metros de altura. Possui galhos pilosos, quando jovem e glabro quando adulto. É semidecídua,esciófila e hidrófila seu caule é escamante. Seus frutos são de bagas globosas de coloração vermelhas a roxo quando completamente maturado e nascem nos ramos finos nas pontas dos galhos. Sua floração varia muito conforme o micro clima local, isto é, a variação do índice pluviométrico pode deslocar a floração e consequentemente a frutificação. Aqui na Chapada do Araripe (sul do Estado do Ceará) acontece em períodos diferenciados. Na zona Leste da chapada, ele flora entre final de setembro a outubro, para o centro da chapada, próximo â floresta Nacional do Araripe e dentro da própria floresta, ocorre entre novembro a dezembro e para a região leste da chapada a floração se dá entre dezembro e janeiro nos municípios de Jardim Ceará e Moreilândia Pernambuco. Nesses períodos de floração podem ocorrer variações conforme o período chuvoso do ano anterior.
Na fase de floração do Cambuí, é muito bonito olhar para cambuizeiro coberto com suas pequenas flores de cor branca no inicio de sua abertura é meio creme após completar o ciclo de abertura das flores. Fenômeno de suma importância para o meio ambiente e principalmente para as abelhas que fazem a festa na coleta de pólen e Néctar. O Cambuí no passado foi um dos componentes da cobertura vegetal da Chapada do Araripe muito presente em quase todos os locais, porém com o desmatamento inconsequente para o cultivo da mandioca do Abacaxi, corte de lenhas para as indústrias de cerâmicas, panificadoras e produção de carvão, hoje é uma espécie que necessita de atenção especial por conta de sua drástica redução entre os componentes da cobertura vegetal da chapada.
Numa pesquisa realizada no ano de 2006, financiada pelo BNB, constatou-se que apenas alguns focos se encontram isolados mais precisamente nos municípios de: Jardim, Barbalha (muito pouco) Crato, Santana do Cariri, Nova Olinda Moreilândia  e Exu Pernambuco. Dessa planta tudo é aproveitado. As folhas muita gente usa o chá para controlar diarréia, a madeira por ser muito dura é usada em construção de casas pelos moradores locais em cabos de instrumentos e/ou ferramentas e seu fruto é usado para fazer sorvete, geléia, picolé, licor doce e o vinho e até as cascas que sobram após a fabricação de vinho está sendo feito a farinha, é uma delicia para comer com o mel de abelhas.
Alguns produtores locais após descobrir a capacidade da espécie para alimentação humana e a probabilidade de melhoria na renda familiar, estão mudando sua visão e seu comportamento em relação ao Cambuí. Alguns já iniciaram a preparação de mudas e em suas áreas ocupadas com mandioca, estão plantando e consociando com o cajueiro. Alem do Cambuí, existem varias outras espécies da agrobiodiversidade da Chapada do Araripe como: a Mangaba, a Janaguba, o Araçá, o Araticum e etc., de fundamental importância ecológica e econômica para as populações locais. Muita coisa precisa ser feita para melhorar e até mudar o regime de uso exploração das áreas sobre a chapada do Araripe objetivando reverter o quadro que vem sendo construído ao longo dos anos com o sistema de exploração degradativo. E a primeira delas é a compreensão e o compromisso dos poderes públicos locais juntos a essas populações, orientando e capacitando-os a usar os recursos da agrobiodiversidade de forma tecnicamente correta, economicamente viável e ecologicamente sustentável.
 Não é muito fácil produzir mudas de Cambuí. Porem, não é impossível. As sementes possuem baixo poder de germinação. O crescimento de uma planta originária da semente é muito lento. Da germinação até ficar no chegar ao ponto de ser levada o campo varia de 6 a 8 meses, portanto, é recomendável produzir as mudas durante o período chuvoso, manter-las irrigadas durante o verão e plantar no inicio do ano seguinte no mesmo período durante as chuvas. É dessa forma que os produtores estão fazendo aqui na chapada do Araripe.
  Cambuizeiro Florido
Fonte: Marôpo
Do início da floração até o aparecimento dos pequenos frutos, ocorre entre 15 a 18 dias. A partir desse período começa a formação dos frutos que dura em média de 3 a 4 meses. Depois disso começa a fase de amadurecimento dos frutos que é muito rápido. Dentro de 8 dias amadurecem e caem praticamente todos. Os frutos catados do chão não são indicados para serem usados na preparação de qualquer produto para alimentação. Nesse período o cambuizeiro recebe milhares de abelhas nativas de varias espécies: melíponas, Apis e tantas outras a procura do pólen e do Néctar. É nessa fase que acontece um fenômeno imprescindível do ponto de vista agro ambiental, a polinização, fator que propicia a frutificação e a perpetuação da espécie quando o homem não atrapalha.Alem do pólen e do néctar, para as abelhas outros animais silvestre se alimentam de seus frutos
A idéia de produzir o vinho surgiu a partir de uma pesquisa mercadológica realizada no ano de 2006 com produtos da agrobiodiversidade da Chapada do Araripe, financiada pelo BNB. A amostragem foi feita com Mangaba, Janaguba e Cambuí em seis Municípios que possuem áreas no platô sedimentar do Araripe no Estado do ceará. Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Nova Olinda e Santana do Cariri. Durante as entrevistas, constataram-se algumas pessoas colocando o fruto do Cambuí maduro dentro de garrafa com álcool, outros usando cachaça. Os frutos depois de alguns dias desmanchavam-se ficando só a semente. Essa solução eles a tratavam como vinho. Outros passavam o fruto num liquidificador, colocavam o suco numa vasilha com cachaça ou álcool, deixava fermentar por alguns dias e depois bebiam como vinho. Observando a coloração e degustando o preparado sentiu-se que naquele fruto havia um potencial capaz de ser trabalhado. E assim o fizemos. No ano de 2007 iniciou-se a primeira experiência realizada com o mosto do fruto de Cambuí. Seguiu-se rigorosamente a metodologia utilizada em fermentados de frutas.
Os resultados foram surpreendentes. O mosto do fruto de Cambuí possui uma coloração roxa muito intensa, produzindo um vinho, suave, muito saboroso diferente de todos os outros e muito rico em nutrientes componentes de um bom vinho. Porque orgânico? Os frutos são colhidos de plantas nativas nascidas e criados no seu habitat natural. Nunca receberam nada de produtos químico bem como qualquer tipo de nutrientes e/ou agrotóxicos. Ver fotos de Cambuí, embalagem do vinho e composição fisioquímica a seguir.

QUADRO 1: ANÁLISE BROMATOÓLOGICA
VINHO ORGÂNICO DE CAMBUÍ
COMPOSIÇÃO FICOQUIMICA
Componentes
Unidades
Valores
Teor de Álcool
Grau%
  11,3°
Densidade
Gr/ml
    1,05
PH (Potencial hidrogeniônico)
MOL/L
    3,12
Acidez total (g/l acido tartárico )
Gr/L
  15,3
Acidez volátil (g/l acido acético )
Gr/L
    0,99
SO2 livre ( dióxido de enxofre )
MG/L
   23,0
SO2 total ( dióxido de enxofre )
MG/L
   48,6
Extrato Seco
Gr/L
 158,0
Acidez titulavel
%Acido
181,26
Açúcares  redutores em  glicose
G/L
2,7
Amido 
%/Peso
2,0
Cinzas
%/Peso
  0,40
Ferro (Fe) total (SBC)
MG/L
 32,5
Fósforo total
MG/L
0,022
Sólidos dissolvidos totais ( TDS)
MG/L
100.143
Proteínas
%/Peso
0,13
Taninos 
mg/100ml
235
Vitamina C
%/Peso
4,2
Cloretos
%
1,21
Magnésio (MG) total (SBC)
MG/L
72,8
Cálcio (Ca) total
MG/L  Ca
306
Valor energético  ou calórico
Kcal/100 Gr
202,27
Sódio (Na) total (SBC)
MG/L
107
Gorduras totais
%/Peso
0,55


                                

                                                                                    


             Cambuizeiro em maturação
             
     Fonte: Marôpo


O fruto do Cambuí apresenta variações de cor conforme sua variedade. Tem variedade  que produz frutos de cor vermelhos, variedades com frutos de cor roxos a preto quando completamente maduro e variedade com frutos de cor amarela no estado final de maturação. Essa variedade de frutos amarelos, muito raramente se encontra aqui na Chapada do Araripe. Ocorrem  variações também em relação ao tamanho do fruto,  no teor de açúcar ( Brix ) e no volume de suco e/ou mosto.

    Colheita do Fruto

      
        Fonte: Marôpo


     Fruto para mosto
Fonte: Marôpo

Visual atual da embalagem
Fonte: marôpo


PRODUTOR RESPONSÁVEL

JOSÉ DE ARAÚJO MARÔPO
Eng. Agrônomo
Fones: (88) 35234556 e (88) 9687-6539
E-mail: jm.2araujo@hotmail.com